Profissionais da saúde de Fortaleza enfrentam fila para receber a primeira dose da vacina Coronavac. Foto: Mateus Dantas | Zimel Press | Estadão Conteúdo

Vacina é o melhor remédio para desemprego

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Não existe saída confiável para a retomada sólida da atividade econômica que não passe pela imunização em massa. Estudo do impacto das vacinas no PIB mostra que a economia brasileira poderá crescer até 5,5% caso até 70% da população seja vacinada até agosto.

A torcida por uma retomada acelerada da economia no início do ano acaba de ser frustrada. Ficou evidente que a segunda onda da pandemia já afetou a atividade empresarial, enquanto o ritmo da vacinação permanece incerto. Economistas refazem as suas contas e já estimam que o PIB de 2021 deverá avançar menos do que o imaginado. Só existe uma maneira de acelerar a retomada econômica e a criação de empregos: a vacinação em massa, o quanto antes.

De acordo com o IBGE, no final de 2020 14,1 milhões de pessoas estavam desempregadas. O número impressiona e é ruim mesmo. A realidade do mercado de trabalho, contudo, é ainda mais dramática.

Desde 2012, quando tem início a série estatística do IBGE, é a primeira vez que o total de pessoas com alguma atividade de trabalho é inferior ao total de desocupados.

Trata-se de um retrato de um país incapaz de oferecer as oportunidades mínimas para os seus trabalhadores. De um país com perspectivas negativas para o futuro. Outro indicador preocupante é que, mesmo entre os ocupados, 2 a cada 10 trabalham e ganham menos do que poderiam.

Impacto do fim do auxílio

Com o fim do auxílio emergencial haverá ainda mais disputa pelas poucas vagas de trabalho disponíveis, e o desemprego tende a aumentar. Um estudo do economista Daniel Duque estimou que a taxa de desemprego do terceiro trimestre de 2020, que ficou em 14,6%, poderia ter chegado a 15,3% caso não houvesse o auxílio, porque 800 mil pessoas a mais estariam à procura de uma ocupação naquele período.

O início do ano chegou com a expectativa do início de uma retomada da economia mais acentuada. Mas a esperança foi frustrada. Em primeiro lugar, por causa da segunda onda da pandemia, ainda mais intensa do que a primeira em muitas regiões do Brasil. Em segundo lugar, porque o ritmo da vacinação deverá ser mais lento do que se imaginava.

Nesse cenário, parece ser inevitável prorrogar o pagamento do auxílio emergencial, ainda que em doses mais comedidas. O problema, claro, é o custo fiscal. No ano passado, quase 70 milhões de pessoas foram beneficiadas, e as despesas com os pagamentos ficaram em torno de R$ 50 bilhões ao mês. É muito dinheiro.

Muito melhor, portanto, é contar com a vacinação o quanto antes. Melhor e bem mais em conta. A verba destinada à imunização deverá ser de R$ 20 bilhões, ou seja, menos da metade do que o País gastou, ao mês, para pagar os auxílios emergenciais.

Impacto da vacina

A imunização é essencial para a retomada plena da atividade econômica. Apenas com a proteção da vacina os brasileiros sentirão confiança para retomar uma vida normal. Enquanto a recuperação econômica não se materializa, empresários adiam os investimentos e contratações de novos funcionários, postergando o crescimento mais duradouro da economia. É um ciclo vicioso que será rompido apenas quando a maior parte da população tiver adquirido imunidade, naturalmente ou pela vacina.

Em Israel, o país onde a vacinação está mais adiantada, já houve uma queda de 60% na internação de idosos. A campanha já foi ampliada para os mais jovens, e praticamente um terço da população recebeu ao menos a primeira dose.

Uma estimativa do impacto das vacinas no PIB foi feita pelo economista Bráulio Borges, da LCA Consultores. O estudo, publicado pelo site Jota, mostrou que a economia brasileira poderá crescer até 5,5% neste ano, caso até 70% dos brasileiros sejam vacinados até agosto. Seria um crescimento bem acima das estimativas atuais, ao redor de 3,4%. Ainda segundo o economista, se fosse possível imunizar 70% dos brasileiros até junho, o avanço no PIB seria ainda maior, de 7%.

Não existe saída confiável para a retomada sólida da atividade econômica que não passe pela imunização dos brasileiros. Há muito os economistas alertam para essa obviedade. Foi o que disse mais de uma vez, por exemplo, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Pena que seus colegas no governo não lhe deram ouvidos.

O governo conseguiu a proeza de fazer pouco caso da vacina da Pfizer, uma das mais eficientes, enquanto fazia ataques pueris aos chineses, os principais fabricantes de vacinas e insumos. Agora, com atraso, o governo procura assegurar o acesso a uma maior quantidade de imunizantes. Houve finalmente uma reaproximação com a China, como demostra a troca e afagos emitidos ontem por Bolsonaro e pelo embaixador chinês no Brasil. Que os esforços prosperem e que boa a diplomacia seja recuperada. A vacina é o melhor remédio para o desemprego.

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Curadoria
 

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8/3 SEGUNDA

    1. NO ESTADÃO. Uma transformação muito positiva. Ao diminuir os incentivos a partidos nanicos, a cláusula de barreira é um passo importante para reduzir a atual fragmentação partidária.
    2. NO ESTADÃO. Almir Pazzianotto Pinto. O presidente e a reeleição. “Como a oposição lidará com o problema e se organizará em frente única, é difícil saber. Os adversários do presidente Jair Bolsonaro revelaram total incapacidade de comunicação com a opinião pública.”
    3. NO ESTADÃO. Fernando Henrique Cardoso. A epidemia e a política. “Por enquanto o que se vê é uma mídia quase unânime na crítica à falta de condições de quem nos governa para manter um mínimo de coerência na ação. É muito, mas é pouco. Enquanto não aparecer alguém com força para expressar outro caminho viável, o presidente leva vantagem.”
    4. NO ESTADÃO. A emancipação das estatais. Documento da OCDE alerta para os riscos do uso político das empresas estatais.
    5. Na FOLHA. Carlos Zarattini. As alterações previstas na Lei de Improbidade Administrativa são adequadas. Descrições dos crimes precisam ser mais objetivas, evitando subjetividades.
    6. NO ESTADÃO. Adriano Pires. Alertas sobre a MP de privatização da Eletrobrás. Privatizar a estatal é fundamental, mas não há espaço para aventuras, nem para milagres, nem para milagreiros.
    7. NO PODER 360. Alexei Macorin Vivan. É preciso reduzir os subsídios na energia elétrica.
    8. NO VALOR. Economia desacelera com falta de vacina. Economistas preveem recessão técnica como consequência da gestão do governo Bolsonaro em relação à pandemia.
    9. NO VALOR. Eduardo Matias. Por um marco legal mais ambicioso para as startups. Projeto encaminhado pelo governo ignorou temas tributários e trabalhistas.
    10. NA FOLHA. Samuel Pessôa. Artigo que caiu da PEC Emergencial diz muito sobre nós.
    11. NA FOLHA. Marcos Lisboa. O inferno são os outros. ‘As críticas às medidas para conter o crescimento do gasto público obrigatório são  rebatidas com a lembrança dos nossos problemas sociais. No fim do dia, contudo, a expansão permanente do governo termina sendo consumida por aumentos na despesa com servidores, com poucos avanços na qualidade da política pública.’
    12. NO ESTADÃO. Paulo Leme. Tamanho (do pacote) não é documento. Plano de auxílio nos EUA não foca no que é necessário: investir em infraestrutura.
    13. NA FOLHA. Guilherme Tinoco e Felipe Salto. Mário Covas deixou saldo de modernização da máquina pública.
    14. NO BLOG DO IBRE. Laísa Rachter. Igualdade de gênero traz benefícios também para a economia. 

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