Bolsonaro cresce no Nordeste e obtém maior apoio entre os mais pobres

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A crise do COVID-19 e o auxílio emergencial de R$ 600 trouxeram para Bolsonaro apoiadores de menor renda, escolaridade e localizados no Nordeste do País. Essa inversão da pirâmide de apoio aumenta a pressão política para transformar o auxílio emergencial de 600 reais em programa que pode custar 6% do PIB, sem nenhum empenho do governo para cortar despesas na mesma proporção.

Apesar de o País estar à deriva em tempo de crise, Bolsonaro continua a cultivar o apoio sólido de um terço do eleitorado. Uma pesquisa realizada pela CNT/MDA na semana passada revela o que as demais pesquisas já confirmavam. O número de brasileiros que consideram o governo ruim saltou de 31% para 43% em relação ao início do ano. Mas 32% dos brasileiros aprovam o governo Bolsonaro.

Interessante é verificar a mudança do perfil dos apoiadores do presidente. Antes da crise, Bolsonaro contava com o apoio de uma parcela maior de pessoas com maior renda e escolaridade. A crise do Covid-19 levou Bolsonaro a perder o apoio dessa camada e a ganhar o apoio dos mais pobres. O programa do auxílio emergencial de 600 reais colaborou para Bolsonaro conquistar a simpatia dos eleitores mais carentes do Nordeste e de outras regiões do País. Esse era o principal reduto dos partidos de esquerda – principalmente do PT.

Vitórias de Bolsonaro

Ao conquistar o apoio do eleitorado mais pobre, Bolsonaro obtém duas vitórias importantes:

1) Apesar das críticas ao seu governo e de perda de popularidade, ele continua a contar com o apoio de 30% do eleitorado. Se terminar a crise com esse índice de popularidade, deve voltar a subir sua aprovação no último trimestre do ano, quando a economia começar a se recuperar.

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2) Sua crescente popularidade entre os mais pobres é uma péssima notícia para os partidos de esquerda e para o PT. Perderam o monopólio desse segmento para o Capitão. Isso significa que a esquerda terá bastante dificuldade de voltar a crescer nessa fatia que migrou de Lula para Bolsonaro.

Essa inversão da pirâmide de apoio ao presidente da República impõe um desafio imediato ao Congresso e ao País: aumenta a pressão política para transformar o auxílio emergencial de 600 reais em programa permanente. Trata-se de uma temeridade para as contas públicas um programa que pode custar 6% do PIB sem nenhum empenho do governo para cortar despesas na mesma proporção.

Candidatura de centro para 2022

Ao perder o flanco de apoiadores de maior renda e escolaridade, aumenta a chance de se construir uma candidatura de centro competitiva, aglutinando as forças políticas que até o momento continuam pulverizadas e desarticuladas. A inação do centro é justificada com uma desculpa esfarrapada de que ainda está muito cedo para se pensar em eleição. Mas o fato é que o centro está perdendo tempo precioso para construir uma candidatura competitiva e se posicionar como uma alternativa viável em 2022. Afinal, seu adversário será ninguém menos do que o próprio presidente da República; o Capitão, que no apogeu da crise e da sua impopularidade, conta com o apoio de 30% do eleitorado.

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