Eduardo Leite: Diálogo e reformas

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O governador Eduardo Leite avança com a agenda modernizadora do Estado Brasileiro no Rio Grande do Sul. Com muita clareza acerca das prioridades no enfrentamento à pandemia e na retomada da renda e do emprego, Leite ressalta a importância da articulação do centro democrático para a formação de uma candidatura única nas eleições de 2022. Assista aos melhores momento de seu bate-papo com Luiz Felipe D’Avila no programa ‘Café com CLP”.

Em meio à pandemia da Covid-19, muitos governadores e prefeitos dão mau exemplo: autorizam o aumento de gastos com despesas que não são prioritárias, como os próprios salários. Em vez disso, eles deveriam estar preocupados em criar condições necessárias para equilibrar seus orçamentos e, assim, terem uma maior capacidade financeira para enfrentar os desafios econômicos e sociais que batem à porta em decorrência do agravamento da crise no País.

Existem, felizmente, os exemplos positivos. Um destaque inegável é o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Herdou um estado quebrado, com um histórico de décadas de rombos orçamentários e baixo empenho em fazer os ajustes necessários. As despesas com os salários dos servidores e as aposentadorias consumiam 95% dos recursos disponíveis. Uma situação pouco digna para um estado dono do 4º maior PIB brasileiros.

Assim que eleito, Leite iniciou diálogos intensos com lideranças da Assembleia e da sociedade civil para colocar em execução o seu plano de ver aprovados 8 projetos destinados a reformar a administração pública e o sistema previdenciário do Rio Grande do Sul. Deu certo. As reformas andaram, e os resultados começaram a aparecer, mesmo em plena crise econômica causada pela pandemia.

Em 2020, as despesas de pessoal, que em uma década haviam subido 187%, o dobro da inflação no período, reduziram-se em 3,8% em relação ao ano anterior, uma economia estimada em aproximadamente R$ 1 bilhão, como informa o artigo Primeiros impactos da reforma administrativa do Rio Grande do Sul.

Durante um café virtual promovido pelo CLP – Centro de Liderança Pública, na semana passada, Eduardo Leite, de 36 anos, falou sobre sua experiência na formação de consensos para aprovar as reformas estruturais. O evento, com mais de 200 participantes, teve o apoio da Ativa Investimentos. Na conversa, o governador detalhou como conseguiu fazer a agenda reformista ganhar tração num estado tradicionalmente refratário a reformas.

Leite enfatizou que, neste momento, a urgência número 1 do País é a vacinação em massa: “O grande esforço está em viabilizar a vacina para a nossa população o mais rapidamente possível”. O governador comentou o esforço que vem sendo feito por governadores e prefeitos para enfrentar a crise sanitária, social e econômica, mas ressaltou que a falta de liderança do governo federal solapa as iniciativas regionais.

A dificuldade não se resume à incapacidade coordenação de Jair Bolsonaro, mas também no fato de ele sabotar ações que poderiam mitigar os efeitos da pandemia. “Há um conflito por parte do presidente da República, uma visão que acaba criando conflitos inexistentes entre saúde e economia. Dizendo defender a economia, ele faz outros movimentos completamente prejudiciais à retomada economia do País”, afirmou Leite.

Sobre as próximas eleições de 2022, o governador afirmou que, como todo político, sonha em chegar ao cargo maior da Nação. Mas será candidato apenas se houver um amplo acordo em torno de seu nome. E qual seria sua mensagem central se for escolhido para disputar a Presidência?

“O Brasil precisa se livrar dessa expectativa de um salvador da pátria. Não é sobre mitos e salvadores, mas sobre ter uma agenda de país bem estruturada e uma liderança capaz.”

Café com CLP | Declarações

A seguir, uma síntese das declarações de Leite no encontro promovido pelo CLP.

Polarização Lula x Bolsonaro
“Tenho convicção que a população vai procurar alternativas. Na eleição passada, diante de um quadro político turbulento, a população acabou votando mais para destruir algo, do que para construir algo novo. Hoje a gente percebe as consequências desse caminho, dessa intenção. A política não é sobre destruir, o verdadeiro segredo da mudança é focar em construir algo novo. Focar em destruir algo que já passou, perdemos energia e deixamos de construir algo bom.”

Reformas no Rio Grande do Sul
“O estado do Rio Grande do Sul economizou R$ 700 milhões por conta da reforma administrativa aprovada no ano passado. Nós tivemos a coragem de fazer mudanças para dentro.”

Liderança política
“Tem que ter capacidade de gestão, mas se não houver capacidade política, não é possível abrir espaço para a gestão. Aprendi com muita clareza que política é exatamente a ferramenta na democracia para que possamos conciliar as diferenças e avançar. Essa forma de fazer política, que se reconhece a urgência de medidas, mas que reconhece os espaços para constatações dentro da democracia.”

“Tenho uma agenda para o estado que passa por todas as transformações exigidas por cada uma das bancadas. Apresentei a elas as nossas propostas e os nossos projetos. Conseguimos fazer todas as reformas que fizemos sem esvaziar a Assembleia, sem confronto com os manifestantes. É dialogar, ser leal, transparente e dar oportunidade para a contestação.”

Projeto para o País“A gente precisa recuperar a confiança no Brasil, confiança internacional e na política brasileira. Isso não é com ataques que se faz, mas sim com respeito às instituições. Uma estabilidade institucional, como a deixada pelo ex-presidente Fernando Henrique, cria um ambiente mais equilibrado e sensato, para que a energia política esteja debruçada no que realmente importa: agenda de reformas que mostrem que o país tem condições de se reestruturar fiscalmente, tornar o país mais simples para o empreendedorismo e a agenda institucional política.”

“Aliado a isso, precisamos reconhecer que somos um País com um imenso abismo social. Que o liberalismo absoluto não vai se encarregar de absorver essa parte da população sem educação, sem saúde. A gente precisa conduzir uma política liberalizante, sem se esquecer dessa imensa massa de brasileiros que ficou à margem, para que elas estejam contempladas nesse novo Brasil que precisa emergir.”

“Os empregos do futuro estão na capacidade de um raciocínio lógico, precisamos de um choque na educação para alinhá-la na direção dessa nova economia”.

“É preciso melhorar a relação governo e sociedade, para prosperar toda a agenda.”

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Curadoria
 

Seleção diária de artigos para enriquecer a discussão da agenda positiva do País

13/4 TERÇA

  1. NO VALOR. Entrevista com Carlos Ari Sundfeld. Interferência de um poder sobre outro é o normal. Jurista critica a nova Lei de Licitações e afirma que municípios e até mesmo o governo federal poderão não cumprir as novas regras para contratações.
  2. NO ESTADÃO. Felipe Salto. Alô, alô, planeta Terra chamando. O Brasil perdeu a capacidade de planejar. Esse é o pecado original não expiado.
  3. NA FOLHA. Cecilia Machado. Um ano de pandemia e não conseguimos resolver detalhes elementares do auxílio emergencial. É difícil entender por que insistimos em um desenho que não atende preceitos básicos que uma ajuda assistencial deve satisfazer.
  4. NO ESTADÃO. Pedro Fernando Nery. Deveríamos falar em vacinar primeiro a população negra. Negros têm probabilidade maior tanto de morte quanto de internação do que brancos.
  5. NO ESTADÃO. Ana Carla Abrão. Brasil tem tanta vida que vale a pena buscar uma saída. Com a pandemia e a assimetria dos seus impactos por renda, gênero e raça, não haverá o que se comemorar nos próximos. 
  6. NO ESTADÃO. Rubens Barbosa. Questão religiosa. Estamos diante de um problema político sério que a direita evangélica traz para a democracia.
  7. NO ESTADÃO. Bernard Appy. Reforma tributária dos EUA traz sinalizações importantes para o mundo. Mudanças visam arrecadar recursos para o programa de investimentos do governo de Joe Biden.
  8. NO VALOR. Izabella Teixeira e Ana Toni. Geopolítica da sustentabilidade e as negociações Brasil-EUA. É a Amazônia que coloca ou retira o Brasil do mundo contemporâneo.
  9. NO VALOR. Rana Foroohar. A indústria e as superpotências. Biden defendeu a reavaliação das vulnerabilidades da cadeia de suprimentos.
  10. NO O GLOBO. Synesio Sampaio Goes Filho. Alexandre de Gusmão, um ilustre desconhecido. 

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