Fatos e mitos sobre produtividade do agronegócio e preservação ambiental

Tempo de leitura: 4 minutos

A agricultura brasileira é preservacionista. O resto são retóricas que distorcem os fatos e a realidade com discursos que não colaboram para a união de ambientalistas, agricultores e governantes.

Desde 1990, o Brasil deixou de ser importador de alimentos para se tornar um dos principais exportadores. Essa extraordinária transformação retrata o ganho exponencial de produtividade da agricultura brasileira. Dados da Embrapa mostram que o Brasil tornou-se um dos maiores produtores de grãos do mundo. Mais de 1 bilhão de pessoas são alimentadas com produtos agrícolas brasileiros.  Esses dados são ainda mais impressionantes quando descobrimos que a produção de grãos no país está limitada a 7,8% do território brasileiro. Somente as reservas indígenas no país ocupam 14% das terras brasileiras, ou seja, o dobro das áreas cultivadas. Nenhum país do mundo trata com tanta generosidade sua população nativa. Se compararmos com outro país de grande dimensão territorial, os Estados Unidos, a área produção de grãos representa 17,4% do território norte-americano e terras indígenas, 2,3%. Mesmo assim, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos na exportação de soja em 2018. Impressionante.

A politização do debate sobre preservação ambiental versus produtividade agrícola é dominado por bravatas ideológicas e defesa de interesses setoriais, ignorando os fatos e dados – que deveriam balizar as discussões, debates e políticas públicas. Portanto vamos aos fatos.

O Brasil é líder mundial em preservação ambiental

 

Qual o maior país que mais zela pela preservação ambiental do seu território? Brasil. Sim, somos nós. O livro essencial para se conhecer os dados é Tons de Verde, de Evaristo Miranda, da Embrapa.

De acordo com os estudos dessa instituição, o Brasil preserva 66% do seu território, incluindo aí as unidades de conservação, terras indígenas, áreas rurais de vegetação nativa dedicadas à preservação, terras devolutas e áreas militares. Nos Estados Unidos, outro país de grande dimensão territorial, as terras protegidas somam apenas 20% do território.

Uso e ocupação do solo

Outra comparação com os Estados Unidos detalha o uso e ocupação do solo. No Brasil, a fatia das terras dedicadas à exploração é sempre inferior à fatia dedicada nos EUA. A área agrícola norte-americana ocupa 74% do território, incluindo lavouras, pastagens e florestas plantadas e exploradas. No Brasil, a ocupação de atividades agropecuária representam apenas 30% do território (7,8% lavouras e 21,2% pastagens).

O agricultor brasileiro preserva a vegetação nativa

Qual é o produtor agrícola que mais preserva o meio ambiente no mundo? O produtor brasileiro. As áreas de preservação ambiental sob responsabilidade dos fazendeiros representam 25,6% do território nacional.

O agricultor brasileiro preserva mais do que exige a legislação atual do Código Florestal: o mínimo de 20% do imóvel na maioria do País, e o máximo de 80% nos estados da Amazônia, como mostra o mapa abaixo. Além de gastar em torno de R$ 20 bilhões/ano para preservar essas áreas, elas representam em torno de R$ 3 trilhões de capital imobilizado.

A agricultura é a grande muralha do protecionismo

Por trás da discussão sobre preservação ambiental e produtividade agrícola está uma disputa acirrada por um mercado global que deve crescer mais de 40 bilhões de dólares nos próximos anos. Trata-se do mercado de alimentos, cujo aumento do consumo de grãos e de proteína animal cresce substancialmente com o aumento de riqueza e da renda per capita na Ásia e em alguns países na África.

Infelizmente, a agricultura representa a grande muralha do protecionismo no mundo. Estados Unidos e Europa, Ásia, África e América Latina gastam trilhões de dólares anualmente protegendo sua agricultura e criam inúmeras barreiras comerciais, tarifárias e sanitárias para barrar o comércio de grãos e de proteína animal. O discurso ambiental se transformou em mais um elemento da guerra comercial pelo mercado agropecuário global. Os fatos e dados são substituídos por um debate recheado de chavões ideológicos, mitos e falsas narrativas para ocultar os reais interesses: evitar que o Brasil conquiste boa parte desse mercado com sua agricultura competitiva globalmente.

Agricultura que preserva é realidade no Brasil

O debate sobre a preservação do meio ambiente é fundamental para a nossa sobrevivência no planeta. O crescimento sustentável precisa ser pautado pela preservação da água, do solo e do clima. Agricultura e preservação do meio ambiente são dois lados da mesma moeda; um pode ajudar o outro na reconstrução da fauna e da flora, como já é o caso das agroflorestas. A falsa ideia de que são interesses antagônicos não passa de retórica ideológica para alimentar discursos político-partidários, protecionismo agrícola, financiamento de algumas ONGs ambientais e de órgãos multilaterais que ignoram dados e fatos, distorcem as evidências e camuflam a realidade com discursos alarmistas que nada colaboram para a união de ambientalistas, agricultores e governantes na busca de reais soluções para problemas prementes que afetam a todas as nações.

O estudo da Embrapa chegou a conclusão 66,3% da vegetação no Brasil é nativa. Recentemente esse dados foram questionados por alguns meios de comunicação. Mas a confirmação veio da NASA, que realizou estudo sobre as áreas produtivas no planeta chegando à conclusão que o Brasil produzia em apenas 30% do seu território. Agora a ONU, em outro estudo sobre áreas preservadas, concluiu que o Brasil é o país que mais preserva no planeta. Nós temos áreas destinadas à conservação e preservação da natureza, que são as Unidades de Conservação, Terras Indígenas, Áreas de Preservação Permanente e Reservas Legais muito do que qualquer país do mundo. Os dados brasileiros foram checados pela Nasa e pela ONU.

Samanta PinedaEspecialista em direito ambiental

Quando falamos em area protegida estamos falando sobre areas que efetivamente ainda estapo preservadas, que nao foram desmatadas mesmo estando protegida pela lei?

Arnon de Mello

recuso me a comentar pela terceira vez, porque as 2 primeiras foram deletadas pela virtus.

Ulrich Mielenhausen
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  6. NO VALOR. João Batista Araujo e Oliveira. Desafios da educação e da produtividade. Os brasileiros adquirem mais escolaridade sem adquirir mais conhecimento para torná-los mais produtivos.
  7. NA FOLHA. Cecilia Machado. Asfixia econômica. Pode-se evitá-la com parcimônia, credibilidade e planejamento.
  8. NO O GLOBO. Merval Pereira. O lado certo. 
  9. NO VALOR. Guilherme Lima e Artur Mascarenhas. Vacina e barreiras comportamentais. A lista de obstáculos a serem enfrentados é longa.

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