Foto de arquivo mostra o então futuro ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, apresentando os futuros comandantes da Marinha, almirante Ilques Barbosa Junior; do Exército, Edson Leal Pujol; e da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do Ar, Antonio Carlos Moretti Bermudez. Todos deixaram o governo em março de 2021. Foto: Ernersto Rodrigues | Estadão Conteúdo.

Forças Armadas não são milícia presidencial

Tempo de leitura: 5 minutos

Artigo de Luiz Felipe D’Avila, fundador do CLP – Centro de Liderança Pública e publisher do VirtùNews

A tensão política com a mudança do comando das Forças Armadas retrata o que nós já sabíamos: Jair Bolsonaro foi um mau militar, que tentou insuflar as bases contra a hierarquia do Exército, e um mau presidente, que tenta arrastar as Forças Armadas para o jogo político.

Bolsonaro quer o aval incondicional das Forças Armadas ao Governo. Mas a única garantia que obterá das Forças Armadas é justamente o respeito à Constituição, ao Estado de Direito e à Democracia.

As Forças Armadas deixaram claro: não se curvarão para se tornar uma milícia do presidente da República.

As Forças Armadas não endossarão a agenda política de um presidente negacionista, que critica as restrições de circulação impostas pelos governadores e prefeitos que, como ele, foram eleitos pelo voto popular.

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro fazem ato em frente ao Comando Militar do Leste (CML), na zona central do Rio de Janeiro, no dia 15 de março de 2021. Eles protestam contra o Supremo Tribunal Federal (STF), o Congresso Nacional e pedem intervenção militar para apoio ao governo de Bolsonaro. Foto: André Melo | Immagini | Estadão Conteúdo

Bolsonaro investe no aumento da tensão no País. Não será surpresa se o mau soldado — e o mau presidente — continuar a solapar as bases das Forças Armadas e das polícias militares. Afinal, foi assim que se desencadeou a crise de 1964, que levou ao Golpe Militar. Na época, a hierarquia das Forças Armadas foi desafiada pelo comício dos sargentos e pelo movimento dos marinheiros.

Bolsonaro diz que o Exército é o “meu exército”. Na verdade, o Exército não é do presidente. Assim como a Marinha e a Aeronáutica, as Forças Armadas são do Brasil. E como garantidoras do Estado de Direito e da Constituição, não servirão jamais como manobra do presidente da República para solapar a Democracia no País.

Se preferir, ouça na voz de Luiz Felipe D’Avila:

Curadoria de conteúdo

Luiz Alexandre Souza da Costa
“Muito mais perigoso para a democracia do que os salamaleques de Bolsonaro com generais que pouco – ou nada – o prezam, é a agenda bolsonarista de o manter próximo às polícias militares, enquanto seus aliados fomentam diretamente agitações nesses órgãos.” Trecho extraído de artigo ao Jota.

José Murilo de Carvalho
“É tudo o que o establishment militar não quer: a politização das Forças Armadas. Isso já foi dito pelo (ex) comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, e é também a posição do general Fernando Azevedo e Silva (ex-ministro da Defesa), que acaba de sair declarando que as Forças Armadas são instituições de Estado.

Nada a ver com 1964. A crise atual tem sua origem mais próxima em 3 de abril de 2018, quando o comandante do Exército, general Villas Bôas, fez uma declaração política (no Twitter) para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) às vésperas do julgamento de um habeas corpus a favor de Lula, quebrando a abstenção política das Forças Armadas mantida desde 1985.” Trecho extraído de entrevista ao Estadão.

Entrevista com Sérgio Etchegoyen
“Se o presidente esperava apoio ao governo, vai continuar esperando. A fonte de instabilidade do Brasil não são as Forças Armadas. O Brasil tem hoje duas fontes de instabilidade: o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal.” Trecho extraído de entrevista ao Estadão

Entre golpistas e velhacos
“Nenhuma das trocas ministeriais visa a melhorar a administração. Prestaram-se somente a aplacar as neuroses do presidente e a saciar os apetites da família Bolsonaro, além da voracidade do Centrão.” Trecho extraído de opinião do Estadão.

Militares devem evitar retrocesso democrático
“Azevedo e Silva registrou em sua carta de demissão que trabalhou para preservar as Forças Armadas como “instituições de Estado”. É exatamente o que são. E assim devem permanecer, quem quer que sejam os sucessores dos três comandantes. Azevedo e Silva deu um recado claro a seu sucessor, general Walter Braga Netto, e a Bolsonaro: se houver tentativa de uso político das Forças Armadas, haverá obstáculos não só entre militares, mas também no Congresso, no Supremo e nas demais instituições da República.

Bolsonaro precisa entender que a condição de “chefe supremo das Forças Armadas” que lhe concede a Constituição não significa que tenha poder absoluto. As três Forças estão sujeitas à Carta. Não são um Poder autônomo, nem um guardião à margem do Estado de direito.” Trecho extraído de editorial do O Globo.

Instabilidade institucional
“Estimular motins policiais, divulgar fake news, agredir os governadores e os adversários políticos são procedimentos repugnantes, que não podem prosperar em um país livre e democrático”, diz um trecho da carta dos governadores. Não se trata de um manifesto trivial. Deve ser levado a sério.
A Bolsonaro interessa muito esse clima de tensão que paira sobre o País. A vida pregressa do presidente mostra que ele só se sente à vontade no caos. Cabe às instituições a serviço da liberdade e das leis não lhe dar este conforto.” Trecho extraído de editorial do Estadão.

Carlos Melo
“Bolsonaro parece cansado da inevitável frustração do poder, da exiguidade de recursos e da realidade de pressões políticas que não lhe permitem se impor às instituições. Lança o olhar sobre órgãos que deveriam monopolizar o uso da força física: o ministério da Justiça, em suas atribuições com a Polícia Federal, liberação de armas e conexões com as PMs; o Ministério da Defesa na tentativa de alinhar as Forças Armadas a seus interesses; a Advocacia Geral da União, no enfrentamento a governadores e prefeitos; a opositores e até ao Supremo Tribunal Federal.

Instituições que, soube-se no processo, resistiam nos bastidores. Esse, por sinal, parece ser o aspecto positivo demonstrado nesses dias negativos: há instituições que resistem na defesa de seus papéis de Estado. Pois, Jair Bolsonaro tentou submeter a AGU e não conseguiu; tentou enquadrar o comandante do Exército e não conseguiu; e é provável que sua tentativa de controlar a PF, denunciada por Sérgio Moro, tampouco tenha se efetivado, mesmo após um ano.” Trecho extraído de artigo ao Estadão.

Francisco Teixeira
“A atuação de Bolsonaro é típica do que o historiador inglês Ian Kershaw, autor da biografia considerada definitiva de Adolf Hitler, classifica como “radicalização cumulativa”, própria de líderes carismáticos e autoritários que vivem de gerar e se beneficiar de crises, e que não agem pelas vias institucionais. “Bolsonaro avança de crise em crise e mira tanto opositores quanto aliados de primeira hora para se cercar de um núcleo de extrema confiança, onde não há críticos. A trajetória de Hitler também é essa, de expurgos e comunicação direta com o povo, entendido apenas como ‘meus’ seguidores, ‘meu’ Exército. O resto todo é inimigo”. Trecho extraído de artigo ao Valor.

General Santos Cruz
“Os comandantes de Forças Armadas não são políticos. Eles são pessoas de dentro da própria instituição que chegaram a comandante. Passaram 45 anos lá dentro sendo selecionados, avaliados”. As Forças Armadas não são instrumento de intimidação política ou ferramenta de jogo de poder”. Trecho extraído de artigo da Folha.

The New York Times
“The president appeared to enjoy stronger support in the lower rungs of the military than among the brass. She said the chiefs might have cut ties with a politically embattled president to send a clear message that the armed forces would not do his political bidding.” Trecho extraído do The New York Times.

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Curadoria
 

Seleção diária de artigos para enriquecer a discussão da agenda positiva do País

13/4 TERÇA

  1. NO VALOR. Entrevista com Carlos Ari Sundfeld. Interferência de um poder sobre outro é o normal. Jurista critica a nova Lei de Licitações e afirma que municípios e até mesmo o governo federal poderão não cumprir as novas regras para contratações.
  2. NO ESTADÃO. Felipe Salto. Alô, alô, planeta Terra chamando. O Brasil perdeu a capacidade de planejar. Esse é o pecado original não expiado.
  3. NA FOLHA. Cecilia Machado. Um ano de pandemia e não conseguimos resolver detalhes elementares do auxílio emergencial. É difícil entender por que insistimos em um desenho que não atende preceitos básicos que uma ajuda assistencial deve satisfazer.
  4. NO ESTADÃO. Pedro Fernando Nery. Deveríamos falar em vacinar primeiro a população negra. Negros têm probabilidade maior tanto de morte quanto de internação do que brancos.
  5. NO ESTADÃO. Ana Carla Abrão. Brasil tem tanta vida que vale a pena buscar uma saída. Com a pandemia e a assimetria dos seus impactos por renda, gênero e raça, não haverá o que se comemorar nos próximos. 
  6. NO ESTADÃO. Rubens Barbosa. Questão religiosa. Estamos diante de um problema político sério que a direita evangélica traz para a democracia.
  7. NO ESTADÃO. Bernard Appy. Reforma tributária dos EUA traz sinalizações importantes para o mundo. Mudanças visam arrecadar recursos para o programa de investimentos do governo de Joe Biden.
  8. NO VALOR. Izabella Teixeira e Ana Toni. Geopolítica da sustentabilidade e as negociações Brasil-EUA. É a Amazônia que coloca ou retira o Brasil do mundo contemporâneo.
  9. NO VALOR. Rana Foroohar. A indústria e as superpotências. Biden defendeu a reavaliação das vulnerabilidades da cadeia de suprimentos.
  10. NO O GLOBO. Synesio Sampaio Goes Filho. Alexandre de Gusmão, um ilustre desconhecido. 

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