Itapeva: a cidade que progride quando se move

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O município cresceu pela proximidade com estradas que cortam SP. Para continuar a se desenvolver, e combater desigualdades sociais, a solução é não parar de investir em melhorias de infraestrutura

Itapeva tem em sua história um marco que simboliza quanto uma boa infraestrutura de mobilidade é essencial para garantir o desenvolvimento. “É uma cidade que teve de se mudar pra existir”, destaca o apresentador Marcelo Tas no início do vídeo do sexto episódio da série “Os Movimentos das Cidades”, idealizada pelo Virtù, com apoio do Grupo CCR.

A origem do município remonta a uma ordem de Dona Maria I, “a louca”, rainha de Portugal, em meados do século XVIII. No entanto, em 1769, o encarregado da missão, Antônio Furquim Pedroso, estabeleceu o povoado, com o nome de Vila Velha, em uma péssima localização: a dezoito quilômetros da Estrada Geral, por onde então trafegava a rota comercial que ligava São Paulo ao Rio Grande do Sul. O lugarejo não progrediu. Só em 1861, quando a população resolveu mudar o assentamento para as margens do caminho de tropeiros, é que a vila vingou, renomeada de Itapeva da Faxina – em 1938, passou a ser chamada simplesmente de Itapeva.

O município se tornou um polo local. Recentemente, em 2014, esse papel foi formalizado, com a oficialização da Região Administrativa de Itapeva, um conjunto de 32 municípios, Itararé e Capão Bonito, com base na economia do agronegócio, dos minérios e do turismo, como evidenciado no episódio apresentado por Tas. A cidade, em si, é a maior produtora de tomate de SP, de lá saem 5 milhões de toneladas de milho por ano e é rodeada de vizinhas que também crescem ao redor do cultivo, a exemplo de Itararé, onde se concentra a quarta maior plantação de trigo do estado. Já na década de 1960, descobriram-se valiosos minérios no território, como calcário, filitos e quartzitos. 

As melhores oportunidades econômicas chegaram à região no início do século XX. Em 1909, a passagem da estrada de ferro estadual por Itapeva diminuiu de uma semana para dez horas de viagem o tempo para ir até a capital paulista. Facilitou-se a venda dos produtos originários do campo, assim como de minérios. Nas décadas seguintes, a criação de rodovias melhorou a mobilidade da população: nos anos de 1920, com a Raposo Tavares, e a Castello Branco, no período de 1960. Somadas à Francisco Alves Negrão, a SP 258, elas formaram a malha de tráfego ao redor de Itapeva. Hoje, demora-se menos de quatro horas até a capital.

Contudo, a área sofre com a desigualdade social. Entre as décadas de 1920 e 1930 o descaso do governo estadual com o sudoeste paulista tornou a região conhecida como “Ramal da Fome”. O abandono tem consequências sentidas até hoje. Segundo levantamento do Índice Paulista de Responsabilidade Social de 2019, sete dos municípios da Região Administrativa estão agrupados entre os mais desfavorecidos do estado. No mesmo estudo, Itapeva, em si, é considerada “em transição”, do pior cenário econômico e de desigualdade social, cuja origem remete à época do “Ramal da Fome”, para a categoria de municípios “equitativos”, o que seria, ainda assim, um estágio antes de alcançar índices de riqueza de cidades como Osasco – tema do segundo episódio da série “Os Movimentos das Cidades”.

A solução é continuar a apostar no que sempre impulsionou a cidade: investimentos em infraestrutura. Itapeva precisa se mover para também continuar a progredir. A CCR, apoiadora de “Os Movimentos das Cidades”, ao notar quão essencial é essa boa fluidez para a região, entregou, no ano de 2015, uma série de melhorias na SP 258, como a duplicação do trecho do contorno de Itapeva, a instalação de uma passarela e a restauração de pontos de ônibus. As novidades, além de, evidentemente, terem desafogado o trânsito, reduziram em 38% o número de acidentes.

Agora, a pedido da prefeitura de Itapeva, a concessionária planeja a duplicação de outro trecho urbano da rodovia, com a construção também de marginais, retornos e novos acessos. Quando entregue, a obra irá reduzir colisões e atropelamentos, melhorar a segregação do tráfego urbano e rodoviário, com a ambição de diminuir drasticamente os congestionamentos. É o progresso chegando à região. Por meio da abertura de novos caminhos. Assim como, nos séculos passados, o desenvolvimento de Itapeva foi possível pela proximidade à Estrada Geral e, depois, com a chegada dos trilhos do trem, agora a região se apoia nas rodovias para evoluir, deixando o apelido de “Ramal da Fome” apenas como uma lembrança de 100 anos atrás.

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