João Doria | Combate à pandemia e ao extremismo político

Tempo de leitura: 4 minutos

Café com CLP recebeu o governador de São Paulo João Doria, um dos possíveis candidatos à Presidência da República em 2022. Além de temas que impactam o País, como a urgente reforma política e o pacto do centro democrático para as eleições, Doria comenta o andamento da vacinação, a articulação com a sociedade civil para o combate à pobreza e os esforços para a retomada da economia no estado.

As lideranças de centro têm até novembro para articular uma candidatura única. Apenas assim será possível criar uma alternativa viável para derrotar os extremismos de Jair Bolsonaro, à direita, e de Lula da Silva, à esquerda. 

Esse foi o recado enfático transmitido pelo governador de São Paulo, João Doria, no Café com o CLP. O encontro, na manhã da terça-feira (27 de abril), teve mediação do cientista político Luiz Felipe D’Avila, presidente do Centro de Liderança Pública (CLP) e publisher do Virtù News.

O governador disse que pretende disputar as prováveis prévias do PSDB para a definição da candidatura do partido. Em paralelo serão mantidas as articulações com as demais lideranças do chamado pólo democrático, que envolvem, além de Doria, os presidenciáveis Luiz Henrique Mandetta (DEM), Eduardo Leite (PSDB), João Amoêdo (Novo), Luciano Huck e  Sergio Moro. O objetivo é evitar a fragmentação de 2018 e oferecer uma alternativa única em oposição a Bolsonaro e Lula. Ciro Gomes (PDT), que assinou um manifesto conjunto com os outros presidenciáveis de centro, já indicou que seguirá com candidatura própria. 

“O centro democrático precisa ter capacidade para dialogar”, afirmou o governador. “Mas longe dos extremos, porque os extremos não gostam de conversar. Não aceitam nenhum tipo de contestação.”

Doria falou também das iniciativas do estado de São Paulo no combate à pandemia, tanto na saúde como na economia. Disse que o estado teria capacidade para vacinar até 1 milhão de pessoas por dia, não fosse a falta de doses de vacina. Até o fim do ano, o Instituto Butantan deverá iniciar a produção integral da CoronaVac, sem a necessidade de importar insumos chineses.

Ao mesmo tempo será iniciada a produção da ButanVac, uma outra vacina, com tecnologia similar à usada para a produção do imunizante contra a gripe, sem a necessidade de importar insumos e que deverá ser usada contra o vírus da Covid-19. A fabricação começará em breve, antes mesmo da autorização da Anvisa, o que, acredita o governador, deverá ocorrer em até 90 dias.

Principais temas da conversa

Vacinação no estado

“O programa estadual de imunização funciona muito bem. Tem uma história muito boa. Se houvesse doses disponíveis, teríamos a capacidade de vacinar 1 milhão de pessoas por dia. São 5 mil pontos em operação. Mas enfrentamos a dificuldade de não termos vacinas suficientes.”

Fábrica de vacinas do Butantan

“A ajuda do setor privado contribuiu para a construção da nova fábrica de vacina do Butantan. Foram R$ 186 milhões em doações. A obra estará concluída em outubro, quando começam a chegar os equipamentos importados da China, da Inglaterra e dos EUA para a produção da CoronaVac. As primeiras doses serão produzidas integralmente aqui na segunda quinzena de dezembro. Além disso, teremos a ButanVac. O princípio dela é o mesmo da vacina contra gripe. A mesma fábrica do Butantan que produz vacina para a gripe poderá produzir a ButanVac, tão logo a Anvisa conclua a testagem. Esperamos ter a autorização num prazo entre 60 e 90 dias. Vamos produzir e deixar prontas 40 milhões de doses.”

Combate à miséria

“É gravíssima a situação. Já são mais de 25 milhões de pessoas no Brasil entre desempregados, desalentados e miseráveis, pessoas que não conseguem sequer se alimentar. O Brasil teve uma regressão de décadas. O retrocesso é grande também na educação. É preciso uma atenção especial para a situação social. Lançamos o Bolsa do Povo, com investimento de R$ 1 bilhão. Ele permite uma bolsa de até R$ 500 para uma família, mas mediante contrapartidas, estudo ou trabalho em ocupações de serviços do setor público. Outro programa ocorre em parceria com o setor privado, com a participação de 216 empresas. Já conseguimos doações no valor de R$ 1,9 bilhão.Os recursos foram usados na compra de alimentos, materiais de saúde e equipamentos hospitalares.”

Candidatura de centro

“O mais importante é o Brasil. Por isso tomamos a decisão de construir o pólo democrático. Uma das pessoas já tomou a decisão e buscou seu caminho, que é Ciro Gomes. Já definiu até marqueteiro. Está em campanha. É uma candidatura mais à esquerda, não propriamente de centro.”

“Precisamos ter uma candidatura unificada até novembro. Temos que ter a grandeza para que o melhor nome seja indicado. O centro democrático precisa ter a capacidade para dialogar. Mas longe dos extremos, porque os extremos não gostam de conversar. Não aceitam nenhum tipo de contestação.”

Candidatura do PSDB

“Há aqueles que advogam que senadores e deputados deveriam ter peso diferenciado nas prévias do PSDB. Isso é antidemocracia. Se temos 1,5 milhão de filiados, precisamos garantir o direito que 1,5 milhão de pessoas tenham o direito de votar.”

Discurso do centro

“É um discurso da vida e do emprego. Estamos chegando a quase 400 mil mortes pela Covid-19. Poderemos chegar a 600 mil mortos. É uma tragédia inominável. É difícil para uma pessoa entristecida recuperar as esperanças. A saúde precisa ser uma prioridade.”

“No plano da economia, garantir a empregabilidade. Com fortes investimentos privados principalmente, em todos os setores. Os investidores precisam de segurança jurídica e de se sentirem amparados. Quanto mais rápido se investe, mais rapidamente são gerados empregos.”

“Precisamos de um governo com credibilidade e que gere confiança na população.”

++ ACESSE TODOS OS EPISÓDIOS DO CAFÉ COM CLP COM LIDERANÇAS DO CENTRO DEMOCRÁTICO

Compartilhe conhecimento

Tempo de leitura: 4 minutos

Curadoria

Seleção diária de artigos para enriquecer a discussão da agenda positiva do País

5/5 QUARTA

  1. NO O GLOBO. Zeina Latif. Haverá apoio para aventuras? A eleição presidencial está distante, mas contamina o cenário econômico.
  2. NO VALOR. Martin Wolf. Menos conversa e mais ação pelo clima. O tempo é limitado e os desafios políticos e econômicos, enormes.
  3. NO ESTADÃO. Silvia Piva e Bianor Arruda Bezerra Neto. As três dimensões da transformação do Judiciário: pessoas, processos e tecnologia.
  4. NO VALOR. Tiago Cavalcanti. Produtividade estagnada. Quebra-cabeça brasileiro de ganhos significativos de escolaridade e estagnação da produtividade não é fácil de ser explicado.
  5. NO VALOR. Roberto Alvarez. A indústria brasileira entre o passado e o futuro. Os resultados pífios das nossas políticas industriais não construíram o futuro.

Receba a curadoria todos os dias em seu email

Compartilhe conhecimento