O poder do impacto

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O capitalismo moderno vem se adaptando aos novos tempos. A governança de stakeholders – termo denominado para retratar que a responsabilidade de uma empresa vai muito além de seus acionistas e engloba também o compromisso ético, social e ambiental com funcionários, fornecedores, consumidores e cidadãos – vem balizando o comportamento e os investimentos das grandes organizações globais. Bancos, fundos de investimentos, companhias de capital aberto, agronegócio e empresas de tecnologia vêm delineando suas estratégias de investimento baseada não somente em avaliação das oportunidades de mercado como também em relação ao comportamento e atuação da companhia com seus stakeholders.

Brasil

No Brasil, a política ambiental errática e o desmatamento da Amazônia levaram países estrangeiros e grandes investidores internacionais a pressionar o governo a mudar de atitude. A ameaça de suspender investimentos no Brasil e retaliar a exportação do nosso agronegócio somaram-se à pressão dos próprios empresários brasileiros. Um grupo de grandes acionistas e empresários publicou um documento conclamando o governo a aprovar medidas urgentes para assegurar a preservação do meio ambiente e frear o desmatamento da Amazônia. Felizmente, o vice-presidente Mourão compreendeu a seriedade da questão e resolveu buscar o diálogo com investidores nacionais e internacionais. Reconheceu o problema do desmatamento e prontificou-se a tomar medidas urgentes para conte-lo.

China

A China também sofre pressão internacional por ignorar os fundamentos da governança de stakeholders. A pressão dos Estados Unidos em torno da Huawei, uma empresa chinesa que fornece tecnologia 5G para telecomunicações, não se trata de uma mera rivalidade comercial. A expertise da Huawei em fornecer uma das melhores tecnologias 5G não é suficiente para conquistar clientes globais. A estreita proximidade da empresa com o governo chinês desperta a desconfiança de países estrangeiros sobre a segurança de dados de uma tecnologia desenvolvida num País que prima pelo autoritarismo, pela pouca transparência de dados e de informações e por uma excessiva proximidade da ingerência do Estado na governança das empresas chinesas.

O desconforto com essa relação insalubre entre a Huawei e o Estado levou países como os Estados Unidos, Reino Unido, Índia, Japão, Canadá e Austrália a proibir contratos com a empresa. Se a China pretende se tornar uma superpotência global, ela terá de mudar de atitude e de comportamento. A mão de ferro do partido Comunista chinês sobre o controle do Estado, a supressão dos vestígios de liberdade em Hong Kong e a ausência de governança clara e transparente de empresas dependentes do Estado estão se tornando um problema sério para a China. Essas atitudes vão continuar a alimentar a desconfiança internacional em relação às empresas chinesas que atuam em áreas sensíveis, como tecnologia e telecomunicações.

O autoritarismo é uma forma de governo incompatível com os laços de confiança, transparência e troca de conhecimento que essas áreas sensíveis demandam de todos os seus stakeholders – inclusive o governo.

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