Rubens Barbosa | Como reverter o declínio internacional

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VirtùNews entrevista Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington e presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice). Na conversa, Barbosa comenta a reorientação na política externa nacional, fala sobre a diplomacia da vacina e analisa o declínio brasileiro na liderança regional.

A substituição de Ernesto Araújo por Carlos França, na avaliação de Barbosa, afastou a política externa da esfera mais ideológica do governo de Jair Bolsonaro. “A nomeação do Carlos França foi muito importante, porque as prioridades da política externa brasileira sempre foram as mesmas, o que mudava eram as ênfases”, afirmou Barbosa. “Ernesto Araújo foi um ponto fora da curva. O Carlos França levou a política externa para o seu leito normal, seu leito profissional.”

Para o embaixador, a reorientação foi sentida na carta enviada por Bolsonaro ao presidente dos EUA, Joe Biden, a respeito dos compromissos assumidos pelo Brasil no combate ao desmatamento e na redução da emissão de carbono. É o início do esforço de reverter o isolamento internacional e recuperar a imagem do Itamaraty. O País, agora, será cobrado pelas suas promessas ambientais e terá que demonstrar ações concretas para reverter a desconfiança externa.

00:11​ Primeiros sinais da presença de Carlos França no Itamaraty
02:24​ A reconstrução da imagem do Brasil no exterior
03:38​ As promessas da Cúpula dos Líderes sobre o Clima
05:34​ Recado dos EUA ao Brasil em linguagem diplomática
09:08​ Mercosul e União Europeia
12:35​ Politização das vacinas e a importância da Índia aos EUA
14:42​ Insegurança jurídica
15:39​ Abertura comercial, reformas administrativa e tributária

Politização das vacinas

Com relação ao acesso a vacinas, Barbosa avaliou que há uma grande falta de solidariedade entre as nações. Os grandes produtores, principalmente a China e a Índia, têm usado a venda de imunizantes como ferramenta no jogo internacional de influência geopolítica. É o que faz a Rússia e o que começam a fazer os EUA. O Brasil deverá se candidatar a receber partes das 60 milhões de doses excedentes da AstraZeneca que o governo norte-americano poderá distribuir, mas, para o embaixador, uma boa parte desses imunizantes deverá ir para a Índia, em boa medida por causa da importância estratégica dos indianos no contexto de disputa dos EUA com a China. 

Barbosa destacou que os sinais emitidos pelo governo Biden, até aqui, apontam para um enfraquecimento da relação bilateral com os EUA, mas os norte-americanos não desejam uma confrontação. “É um momento de estender a mão. Mas a política externa americana, com Biden, mudou, e o meio ambiente é central”, disse. “Não vai entrar um tostão em convênios externos enquanto o Brasil não apresentar resultados concretos na redução do desmatamento e de práticas ilegais.”

O embaixador comentou ainda os desentendimentos entre os países do Mercosul e as dificuldades na conclusão do acordo comercial com a União Europeia. “A abertura comercial depende de reformas, como a tributária. Precisamos de uma reforma do estado, uma reforma administrativa, por causa da perda de competitividade “, disse Barbosa. “Os acordos ficam emperrados por causa da burocracia e da regulamentação. O resultado é a perda de nossa importância econômica.”

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Curadoria

Seleção diária de artigos para enriquecer a discussão da agenda positiva do País

5/5 QUARTA

  1. NO O GLOBO. Zeina Latif. Haverá apoio para aventuras? A eleição presidencial está distante, mas contamina o cenário econômico.
  2. NO VALOR. Martin Wolf. Menos conversa e mais ação pelo clima. O tempo é limitado e os desafios políticos e econômicos, enormes.
  3. NO ESTADÃO. Silvia Piva e Bianor Arruda Bezerra Neto. As três dimensões da transformação do Judiciário: pessoas, processos e tecnologia.
  4. NO VALOR. Tiago Cavalcanti. Produtividade estagnada. Quebra-cabeça brasileiro de ganhos significativos de escolaridade e estagnação da produtividade não é fácil de ser explicado.
  5. NO VALOR. Roberto Alvarez. A indústria brasileira entre o passado e o futuro. Os resultados pífios das nossas políticas industriais não construíram o futuro.

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