No dia em que o resultado do PIB brasileiro 2019 foi apresentado, há um ano, Carioca, humorista da TV Record, oferece bananas a jornalistas na portaria do Palácio da Alvorada. Foto: Dida Sampaio | Estadão Conteúdo

Covid-19 e PIB: tragédias anunciadas

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Em um único dia o Brasil registrou mais de 1900 mortes vítimas da Covid-19 e 4,1% de queda do PIB. Esse é o resultado de um governo irresponsável, incapaz de proteger a população e sem competência para articular uma reforma estrutural e para aprovar uma agenda de retomada econômica para o País.

A queda de 4,1% do PIB em 2020 é fruto de um país à deriva, graças a um governo incompetente e irresponsável. Incompetente porque foi incapaz de avançar com as reformas do Estado – como administrativa e tributária – e com a aprovação dos projetos que poderiam diminuir a insegurança jurídica, atrair investimento privado e contribuir com a retomada da economia, do emprego e da renda.

O Centro de Liderança Pública, CLP, liderou um movimento cívico de mais de 20 instituições privadas em torno do Unidos pelo Brasil. O movimento elencou uma lista de projetos já em trâmite no Congresso que, se aprovados, fariam o PIB crescer 12% até 2024.

A incompetência política do governo em articular a aprovação da agenda do crescimento econômico provou ser um desastre: o PIB despencou 4,1% no ano passado e nenhuma reforma foi aprovada.

As privatizações não saíram do papel. O governo criou, ainda por cima, uma nova estatal, a NAV, para acomodar o corporativismo dos militares e da Infraero. Aliás, a primeira metade do governo Bolsonaro foi caracterizada pelo abandono da pauta liberal e o triunfo da pauta corporativista, do intervencionismo estatal e da absoluta incompetência política em avançar com a agenda reformista no Congresso.

Incompetência

A queda de 4,1% no PIB foi o maior tombo na atividade desde o confisco da poupança, em 1990, no governo Fernando Collor. O número certamente reflete o choque causado pela pandemia, mas Bolsonaro contribuiu, e muito, para sabotar o desempenho econômico e a perspectiva de retomada.

O setor mais atingido foi o de serviços, com queda de 4,5%, um reflexo das restrições ao comércio e outras atividades empresariais. A indústria encolheu 3,5%. A salvação da lavoura foi a agropecuária, mais uma vez, com um crescimento de 2%.

Para 2021, espera-se uma ligeira recuperação, mas os analistas econômicos vêm revisando para baixo as suas estimativas. O crescimento deverá ficar ao redor de 3%, insuficiente para recuperar as perdas anteriores. Nesse cenário, o desemprego permanece elevado e a taxa bateu recorde no final do ano passado: 14,6%.

Num indicador simbólico da perda de relevância brasileira no cenário internacional, o Brasil deixou de fazer parte do grupo das dez maiores economias do mundo. Caiu para a 12ª posição, de acordo com projeções da Austin Rating. Fomos ultrapassados, no último ano, por Canadá, Rússia e Coreia do Sul, num reflexo da queda na economia e da desvalorização do real. Até 2014, o País tinha o 7º maior PIB global.

Enquanto um maior número de países, sobretudo na Ásia, consegue ampliar as suas riquezas e reduzir a pobreza, o Brasil rumo na contramão. A população fica condenada a viver no desalento da falta de horizonte de avanço social e econômico.

Irresponsabilidade

Além da incompetência, outra característica marcante do governo Bolsonaro é a irresponsabilidade. Não há registro na história nacional de um presidente tão irresponsável em tempo de crise e de pandemia. Desde o início da Covid-19, Bolsonaro preferiu o negacionismo em vez do enfrentamento dos dados e fatos; ridicularizou medidas preventivas (como uso de máscaras e restrição de circulação de pessoas), menosprezou a importância da vacina e foi incapaz de unir esforços com os governadores para enfrentar os enormes problemas sanitários, sociais e econômicos da pandemia.

O resultado dessa tragédia anunciada está no recorde de número de mortes de vítimas da Covid-19, que será agravada por um governo incapaz de garantir vacina e insumos para imunizar a população.

Com quase 40 mil postos de vacinação espalhados pelo País, o Brasil poderia ter sido uma das nações mais preparadas para vacinar em massa a população e dar um exemplo para o mundo. Mas graças à irresponsabilidade e incompetência do governo, nos tornamos um caso internacional de colapso sanitário durante a pandemia.

No governo Biden

Nos EUA, o presidente Joe Biden acaba de antecipar de junho para maio a meta de vacinar, ao menos com a primeira dose, toda a população adulta. Aqui não há imunizantes assegurados nem mesmo para proteger os idosos. Nos EUA de Biden, a Câmara acabou de aprovar um plano econômico de US$ 1,9 trilhão e, muito provavelmente, o conjunto de iniciativas para amparar os mais pobres e estimular a retomada empresarial deverá também ser aprovado no Senado.

No Brasil de Jair Bolsonaro, faltam vacinas, as reformas não andam, não há definição sobre a renovação do auxílio emergencial e nem mesmo o Orçamento de 2021 foi aprovado. 

Moral da história: enquanto as principais economias do mundo aceleram o processo de vacinação e imunização da população e adotam medidas duras para conter a pandemia e retomar a economia, o Brasil está afundado numa economia arrasada, num país desacreditado internacionalmente e numa pandemia que revela o absoluto descontrole do governo em lidar com a crise.

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Curadoria
 

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13/4 TERÇA

  1. NO VALOR. Entrevista com Carlos Ari Sundfeld. Interferência de um poder sobre outro é o normal. Jurista critica a nova Lei de Licitações e afirma que municípios e até mesmo o governo federal poderão não cumprir as novas regras para contratações.
  2. NO ESTADÃO. Felipe Salto. Alô, alô, planeta Terra chamando. O Brasil perdeu a capacidade de planejar. Esse é o pecado original não expiado.
  3. NA FOLHA. Cecilia Machado. Um ano de pandemia e não conseguimos resolver detalhes elementares do auxílio emergencial. É difícil entender por que insistimos em um desenho que não atende preceitos básicos que uma ajuda assistencial deve satisfazer.
  4. NO ESTADÃO. Pedro Fernando Nery. Deveríamos falar em vacinar primeiro a população negra. Negros têm probabilidade maior tanto de morte quanto de internação do que brancos.
  5. NO ESTADÃO. Ana Carla Abrão. Brasil tem tanta vida que vale a pena buscar uma saída. Com a pandemia e a assimetria dos seus impactos por renda, gênero e raça, não haverá o que se comemorar nos próximos. 
  6. NO ESTADÃO. Rubens Barbosa. Questão religiosa. Estamos diante de um problema político sério que a direita evangélica traz para a democracia.
  7. NO ESTADÃO. Bernard Appy. Reforma tributária dos EUA traz sinalizações importantes para o mundo. Mudanças visam arrecadar recursos para o programa de investimentos do governo de Joe Biden.
  8. NO VALOR. Izabella Teixeira e Ana Toni. Geopolítica da sustentabilidade e as negociações Brasil-EUA. É a Amazônia que coloca ou retira o Brasil do mundo contemporâneo.
  9. NO VALOR. Rana Foroohar. A indústria e as superpotências. Biden defendeu a reavaliação das vulnerabilidades da cadeia de suprimentos.
  10. NO O GLOBO. Synesio Sampaio Goes Filho. Alexandre de Gusmão, um ilustre desconhecido. 

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